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03/01/2018

Personagens da Nossa História – Tito Viero

Em outubro, o SindicontaRS completa 30 anos. Até lá, a seção Personagens da Nossa História trará relatos de pessoas que contribuíram para o sindicato trilhar seu caminho dedicado ao fortalecimento da representação dos Contadores no Rio Grande do Sul. O personagem desta edição é Tito Viero. Um dos fundadores do SindicontaRS, ele é contador, atuou como gestor no serviço público estadual, é membro permanente do Conselho Deliberativo e presidiu o sindicato no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2013, além de ter atuado como vice-presidente na primeira formação da Diretoria. A seguir, ele relata os desafios para a entidade conquistar seu espaço no meio contábil na primeira década e meia após a sua criação.

Os desafios da afirmação como entidade sindical

Como foram os primeiros anos do SindicontaRS?

Logo após a fundação do sindicato, em 5 de outubro de 1988, algumas entidades representativas dos contadores começaram a contestá-lo, pois o interpretavam como uma divisão, com a intenção de separar a classe. Foi muito fácil propagar esse sentimento, devido ao grande número de sindicatos de contabilistas (nomenclatura inexistente como formação profissional nos níveis Superior e Técnico) existentes no RS. Talvez o nosso discurso, de início, não tenha sido o mais apropriado. Pode ter sido um pouco radical. Mas nossa atividade nunca foi contra os técnicos de contabilidade, mas, sim, a favor de que os contadores tivessem a sua própria entidade.

Na época, a única forma de estabelecer uma entidade em favor dos contadores era um sindicato, pois possibilitava a garantia de uma renda, que era o imposto sindical, extinto em 2017. Nós tínhamos o Clube dos Bacharéis em Ciências Contábeis (CBCC), que não dispunha desse tipo de receita. Além da dificuldade de conscientizar a categoria dos contadores, de mostrar a importância de lutar pela própria classe profissional, o SindicontaRS enfrentou uma campanha contra, um estigma de que nós estávamos causando uma cisão que iria enfraquecer a profissão.

O Sindiconta começou originalmente como representante dos contadores de Porto Alegre, correto?

Exatamente. Os trabalhos começaram como Sindicato dos Contadores de Porto Alegre. Em seguida, nos demos conta da necessidade de expandir a área e, então, fizemos a mudança – isso até já transitou em julgado – e nossa área de jurisdição passou a abranger todo o Estado do RS.

Mas aparentemente ficou no nome. Por que não foi possível ampliar a atuação em termos de representatividade, com os municípios do interior?

Em Porto Alegre, conseguimos avançar devido às pessoas que estavam à frente do sindicato. Haviam relações estabelecidas aqui, e era mais fácil dialogar pessoalmente e demonstrar a real intenção da entidade. Já no interior, havia os sindicatos dos contabilistas, e a comunicação não era tão fácil como nos dias atuais, com as mídias sociais. Num primeiro momento, enfrentamos uma não aceitação da ideia de ter um sindicato apenas para contadores e, num segundo momento, a rejeição dessa proposta. Ampliamos a área no papel, mas não foi possível penetrar no espírito dos profissionais do interior com essa ideia. É claro que tivemos êxitos, pois muitos nos ajudaram nesse sentido. O Sindiconta chegou a experimentar um bom crescimento, mas ficou aquém do necessário para uma entidade verdadeiramente estadual. Também houve a contestação judicial, inclusive da ampliação da base territorial. Há uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), que persiste até hoje. Embora tenhamos os votos dos ministros a favor da criação do SindicontaRS, com base na Constituição Federal, os sindicatos de contabilistas entraram com recursos e embargos, e essa questão segue pendente.

Especificamente essa, que está no STF, quando teve início?

Essa foi a primeira contestação, movida pelo sindicato dos contabilistas de Porto Alegre, sindicatos do interior e a Federação dos Contabilistas. Diz-se que o SindicontaRS adora uma briga, mas nosso sindicato não é autor de nenhuma ação. Nossas atitudes foram sempre administrativas. O que se pode lamentar é que muitos dos fundadores morreram sem ver concretizada a ideia. Mas a história irá demonstrar a importância da entidade.

Pelo quê e por quem o SindicontaRS lutou desde o início?

O grupo que formou o SindicontaRS é o que sempre batalhava pelo valor justo das anuidades junto ao Conselho Regional de Contabilidade, e pelo tratamento igual a todos os profissionais, junto a órgãos públicos. O SindicontaRS foi a entidade que trouxe essas reivindicações ao conhecimento público. O objetivo principal do sindicato foi sempre a valorização dos contadores. Talvez o tipo de instituição para lutar pela valorização não devesse ser a sindical. Mas, à época, era a única opção existente. Nós nascemos como sindicato, mas com o espírito de uma associação.

O nosso escopo sempre foi a valorização profissional, a luta pelo reconhecimento do valor do contador como um profissional liberal, para que os empresários percebam quão importante é esta classe na estrutura da sua empresa, e o cidadão enxergue, no contador, a pessoa capaz de orientá-lo para fazer um negócio com qualidade e segurança jurídica.

Também houve uma mobilização em relação às perícias contábeis, correto?

Uma das lutas empreendidas pelo SindicontaRS diz respeito às perícias contábeis, muitas vezes feitas por pessoas que não eram bacharéis em Ciências Contábeis. Os juízes do Trabalho, quando têm uma perícia para fazer, nomeiam um perito, profissional reconhecido para fazê-la. Nós batalhamos para que, no caso de perícias contábeis, o responsável fosse sempre um contador.

E a questão dos técnicos em contabilidade? Há quem diga que o Sindiconta é contra esse segmento.

Nós nunca fomos contra os técnicos em contabilidade. Nossa atuação foi sempre em função das prerrogativas. As prerrogativas de um técnico em contabilidade, como um profissional de Ensino Médio, eram muito próximas das prerrogativas de um contador, com Ensino Superior. A diferença era a perícia e a auditoria. Nossa mobilização era para que os técnicos tivessem algumas atribuições diminuídas. Nosso trabalho não foi entendido, e quem condenava o Sindiconta tomou a frente para acabar com a formação de técnicos em contabilidade, que deixou de existir em 2015.

Que êxitos podem ser destacados nos anos iniciais do SindicontaRS?

A luta, o sonho e a vontade do grupo que criou o CBCC e o SindicontaRS. Desde o início de sua trajetória, o sindicato obteve sucesso, embora o sonho completo não tenha sido alcançado. Mas não foi por falta de luta ou de algum erro estratégico.  Infelizmente não houve consciência da importância de o contador se fortalecer em uma entidade própria. O contador tem um valor cada vez maior, a legislação exige cada vez mais a presença desse profissional. Um dos nossos êxitos foi a criação do suplemento no Jornal do Comércio, lançado por nós em 2002, hoje conhecido como JC Contabilidade. O SindicontaRS começou a encartar o Jornal da Contabilidade, que depois passou a receber o nome atual, devido ao potencial e à importância que o JC percebeu naquele trabalho. Isso retrata bem o espírito que sempre nos moveu: nós não nascemos para nós mesmos, mas voltados para nossa categoria profissional. Outra ação de exposição pública, que contribuía para a divulgação do sindicato, era o Troféu Dia do Contador, que entregávamos ao vencedor do Clássico Gre-Nal, em meio ao Campeonato Brasileiro, sempre que este ocorria no mês de setembro.

Acompanhe nossas colunas e siga a trajetória de recordações sobre os 30 anos do SindicontaRS.

 

 




Créditos: Foto: Jualiana Pozzatti



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